Reino da Gataria – Um conto Mágico de Merlin

Por Venício Angelici

Livremente adaptado do filme da Disney, “Os Aristogatas”, lançado na década de 1970, é o primeiro musical infanto-juvenil produzido pela Companhia Atores in Cena, do Rio de Janeiro-RJ. Marco dos Anjos, responsável pela adaptação do texto e direção, que apresentou dia 7 neste Festival, a peça “O QUE PODEMOS CONTAR”, com algumas restrições deste crítico, acertou em cheio neste, criando um espetáculo irrepreensível.

Conta a história de Madame Adelaide, uma rica e excêntrica senhora, que decide fazer seu testamento, deixando sua herança para seus gatos – que são sua única família – dando ao mordomo Edgar a responsabilidade de cuidar dos bichanos. Indignado, ele resolve dar um fim a seus rivais para assim, poder ficar com a fortuna da Madame. Leva-os, então, a um lugar distante e põe seu plano em ação. A partir daí, vão surgir várias peripécias.

O elenco é bastante coeso, há unidade nas interpretações e percebe-se muita paixão e entrega. Felizmente temos hoje uma nova geração de atores completos, que além de representar, também cantam e dançam.

Um dos pontos altos do espetáculo é a presença das gansas trigêmeas, deliciosamente interpretadas por Amanda Tinarelli (Alzira), Ana Luíza Landgraf (Abigail) e Bia Mello (Amélia). Rafael Andrade (Gato Thomas) e Nathalia Colón (Gata Duquesa) dão o tom romântico à peça, fazendo o casal apaixonado. A criançada se diverte com as trapalhadas da dupla de cachorros: Lafaiete (Caio Lisboa) e Napoleão (Felipe Valle, também no elenco de ”O que podemos contar”). Heidi Caren encarna com propriedade a excêntrica Madame Adelaide e Sérgio Menezes (ator de várias novelas na Globo) está muito bem no papel do revoltado mordomo.

Marco dos Anjos assina também a autoria das músicas originais, que são executadas por uma banda excelente, ao vivo, composta de teclados (Edinho Hora – direção musical e arranjos), baixo (Gustavo Groove) e bateria (Vini Onety). Na cenografia, Cachalote Mattos colocou andaimes que funcionam muito bem e os bichanos sobem e descem à vontade. Ali ficam aninhados também os músicos da banda. Os números de dança foram muito bem coreografados por Fabrício Ligiero. O cuidadoso figurino de Rute Alves, aliado à meticulosa maquiagem (de Marco dos Anjos) e iluminação perfeita de Daniel Souza, contribuem muito para o bom acabamento da montagem. Na apresentação, houve alguns probleminhas de reverberação do som, que absolutamente, não foram suficientes para empanar o brilho.

Essa releitura de um filme musical clássico, resultou num espetáculo delicioso, bem acabado, que com certeza, é diversão para toda a família.

Fonte: UEPG Notícias | FENATA/Crítica: O Reino da Gataria